Essa tal de Felicidade

Felicidade de 15 dais

Felicidade de 15 dias

 

Tem sido os  15 dias mais felizes da minha vida. Quase 17, mas quem esta contando? Quem está gravando, tirando fotos, escrevendo, publicando? Quem está notando? Pelo visto, bastante gente. A capacidade que um criança bebê tem em gerar e trazer felicidade é algo que até agora me impressiona. Impressiona mas não espanta. A gente quase se sente na obrigação de espalhar e repartir essa felicidade com o maior numero de pessoas possível, por isso essa enxurrada de fotos, vídeos, textos sobre algo que transcende o meu entendimento. Essa tentativa de capturar e entender o que vem a ser essa tal de felicidade é quase que incontrolável, e pode parecer como uma exposição extrema ou desnecessária de alguém com alguns dias de vida e que não pode falar : Presta atenção voces dois! Foto minha de umbigo de fora no  Imgur não! Um pouco de bom senso evita algumas coisas, mas espalhar felicidade me parece, hoje, a melhor caridade que ando fazendo. E o meu espalhar é escrever, fotografar, gravar. Repartir.

Uma coisa que me surpreendeu ontem a noite, quando perguntado ” Como vai o Gabriel?” ,  foi perceber que usei músculos da face que nem imaginava que existiam. A boca alarga, a testa aumenta, as narinas se afastam e o queixo sobe. Eu ando sorrindo mais e melhor e maior. Sorrir  é uma das formas mais fáceis de se repartir um sentimento tão inexplicável quanto grande. Nota-se no rosto pelo jeito e não me canso em ouvir como estou ” com o rosto melhor, mais leve”, apesar das horas de sono a menos. Como insone por natureza e pai ansioso, temia o fato de ficar noites sem dormir, cansado, olhos virados, dormindo em qualquer canto. Essa tal de felicidade não deixa isso acontecer? Entendam, estar nessa situação de cuidar de um ser 24 horas em ciclos de duas horas é tão difícil como falavam, mas ao mesmo tempo infinitamente fácil. E bom, por isso o sorriso. Eu não fico orgulhoso de mim mesmo, me achando que ganhei um presente, que cara sortido eu sou ou :Olha o que fiz! A boa ventura ultrapassa o ego; tem um eu ai que não precisa ser afagado por comentários ou “likes” em uma foto. O curtir vem antes da aceitação de alguém. Falar que a felicidade vem de dentro, que não é algo externo e que eu tive que me encontrar para experimentá-la, seria a essa altura hipocrisia da minha parte. A felicidade veio por parte de um ser que nasceu, que divide comigo e com a mãe momentos de intimidade extrema e irrestrita, que chora, se aninha, se acalma, chora de novo, pede, exige. Tudo externo e tudo gera felicidade. Talvez, num processo de alguns anos de cura interna, de maior contemplação, de sobriedade emocional, de aceitação dos outros e de mim mesmo, criou-se um ambiente aconchegante para a felicidade se instalar aqui dentro.  E ela tem ficado.

Há uma tentativa de compreender e abraçar de forma mais carinhosa o mundo, por mais gás lacrimogêneo que tenha no ar. Aproximar pessoas que se distanciaram com mais jeito e mais afago, tolerar mais o tempo e ser mais respeitoso com o fato que ele passa rápido, entender que há problemas pequenos e grandes e para cada um cabe uma solução, ficar tranquilo para poder passar calma que uma boquinha faminta demanda as 3 da manhã. Nada automático ou do dia para noite, um processo grande que levou ao que me tornei hoje.

Pode parecer que encontrei o nirvana ou virei um monge. Longe disso, nem preciso. Eu ainda tenho fome, vou ao banheiro, consumo combustível andando de carro e viajo em devaneios consumistes e faço posts  irritados no Facebook. Mas é tudo tão mais suave ou menor.

Essa tal felicidade não é irreal,  idealizada, sem substância, abstrata. Pesa três quilos, se mexe e é ruidosa, cheira a leite de peito, é quente e rosa, tem unhas frágeis e cabelos finos, olhos cinza escuro e de quando em vez sorri de volta. Pede para ser repartida.

A felicidade demanda atenção e carinho e é impossível ignorar um pedido desses.

1 comentário

  1. De novo inspirador. Revendo teus textos noto essa coisa de reviver o passado. Ele não volta. Mas da uma olhada pro futuro! quem sabe o que te resrerva? Se perdoe… A palavra é cuidar que as coisas voltam.

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