33 Semanas

Você está chutando. Ou dando socos. Ou cabeçadas. Que energia violenta! Você está dançando. E ri, e franze o cenho, e põe os lábios para fora. Você, meu filho, está querendo vir ao mundo. Você já faz parte do mundo. Essa intrincada rede de proteínas tentando se especializar que é você, está mais do que pronta para encara o mundo. Ou não. Toda vez que falo à sua mãe: o moleque vai vir mais cedo. Ela franze o cenho e pede um ” não”  quase murmurado. Estamos anisosos com sua primeira respiração. Esse momento definitivo que te coloca no mundo quando seus dois pulmõezinhos se põe a funcionar. Uma pequena válvula em seu coração se fecha e agora toda a queima energética depende de você. Respire! Respire, meu galante menino! Bem vindo ao mundo!

Mas nem tudo é sua responsabilidade agora. Eu prometo te dar atenção, no trocar de fraldas, deixar-te confortável a ponto de querer seguir em frente, ninar, fazer o possível para que o mundo uterino se estique um tanto mais, cálido, cheio de sons, cheio de vida. Não vou te nutrir nesses primeiros meses, mas prometo, se precisar, te “acoplar” a esse ser fantástico que te carregou por nove meses para que você se alimente. E mais troca de fraldas. E colocar para dormir. Pacotes de roupa mais apertados para te lembrar dos nove meses dentro de sua mãe. Conversar, te colocando a par das notícias do mundo. Banhos! Banhos divertidos e impossíveis. Apresentar você ao mundo.  Mas sabe? : tudo isso dá medo.

Ser pai é uma tarefa fácil sim. Deveria ser. Deveria ser da competência de todo homem que ajuda a colocar um ser ao mundo. Mas dá medo. E bobo é aquele homem que diz que não tem medo. Ou bobo ou alheio ao processo. Mas essas linhas não estão aqui para julgar ninguém. Eu tenho medo sim. Ansiedade  que não vou dar conta da tarefa. Ou que vou falhar na tarefa de te criar e educar e ninar e amar. Mas agora me aparece o óbvio: Você não é tarefa.

Você nâo é tarefa! Uma disciplina, um certame, são realmente necessários para te criar, mas te ver como uma tarefa é impossível.  Eu te amo demais para que você seja uma tarefa. E ainda se for, farei com a maior ligação, maior espiritualidade, maior amor até hoje. Das semanas que você sequer consiga esboçar um sorriso. Das semanas que você apenas chore e grite. Das semanas que a fralda RN fique larga e vaze tudo. Dos meses que você sorria. Dos meses que você experimente o ácido de um limão.Dos anos que você ande em duas pernas. Dos anos que você fale. Dos anos que você pergunte porque o vento sopra.  Das décadas que você ocupe esse espaço que eu e sua mãe reservamos para você. Você é tarefa para todo o resto da minha vida. Homem meu.

A gente te viu rápido e com o rostinho coberto de placenta em um fantástico ultrassom em 3D. Rapaz! Deu um bolo aqui no peito quando vi aquela imagem, que é feita de som, traduzir seu rosto! A primeira reação: que bicudo! Nossa, ele é meio feio! Mas depois de rever umas trezentas vezes não há criança em útero mais linda que você. Que ri, que franze o cenho. E chuta. E dá reviravoltas. E aperta a bexiga da sua mãe (ela vai te cobrar disso, rapaz… ah se vai!). Você é você. E você é o máximo.

Trinta e três semanas. Sua audição está completamente desenvolvida. E chuta, e dá socos, e reviravoltas e piruetas. Só de saudade; aparece logo?

P.S.: tem fralda graças as pessoas que amam sua mãe até seu primeiro ano. Tá tranquilo… cola junto!

 

E um link para dizer que nada entendemos mas ainda assim somos adoráveis.

http://youtu.be/68wQvs8I6z0

 http://youtu.be/A1QzqGMGgbE

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