Por dentro eu sou maior

Genética é meio que um saco. Uma coleção de genes um tanto do pai, um tanto da mãe fazem e ditam na maioria das vezes o que você é hoje. Um erro de replicação ali, outro lá, colaboram para subverter isso, mas você ainda é essa herança de duas matrizes genéticas e não tem muito como reclamar. ” Mas papai, eu queria ser esse mutante com uma língua de cobra e que pode voar!” Desculpa, garoto, mas não vai dar. Chances grandes há de você ser um adorável sujeito baixinho. Eu e sua mãe certamente não estamos no grupo dos humanos altos que andam por essa rocha, e você vai herdar sim esses genes que instruem seu corpo para crescer até um metro e sessenta e dois centímetros (dois, enfase no dois…). Com uma boa dose de sorte e algum antepassados desconhecidos, um gene dominante pode aparecer e , ora vejam só, talvez você seja alto. Probalidade e ciência dizem o contrário, então vamos ficar com o possível

O primero ultra-som foi com cerca de 7 semanas. O primeiro que eu conto, de qualquer forma. Tinha cerca de 4,6mm de comprimento,uma bolinha perdida no meio de um útero que o protege. Vendo na imagem  em detalhe do ultra-som ele parecia bem maior; um rascunho do que seria a cabeça com uma cauda fazendo parecer um cavalo-marinho.  E um coração batendo rápido, quase 180, que parecia tomar todo o peito. A onda de emoção pura e límpida que me invadiu vendo aquele coraçãozinho grandioso batendo é algo que sempre lembro, principalmente se estou triste. Faz acreditar em tanta coisa. Que coisa!  Nessa semana 28, ele já esta parecendo uma gentinha, mãos, pés (do tamanho do fêmur, dizem que uma hora fica mais proporcional), cabeça, cristalinos, um estômago! e o grande coração, um pouco mais calmo agora batendo a 160, 140 b.p.m. . Mas é pequenino. Ainda dentro da média, mas pequenino. Herança genética.

E o que mais ele vai herdar desse pai pateta? Ou da mãe, que tem particularides no quesito gosto e não come certos tipos de alimentos. Pode ser genético, como sugere-se nesse artigo  .  Eu sou um cara ansioso, como diz o blog, então penso em tudo que eu tenho de ruim que ele herdará. O cabelo, ansiedade, introspecção.Quero as coisas boas da sua mãe, dedos, paciência, carinho, bondade, mas o desgosto por vegetais… Certamente nunca fui um briguento, pois sabia que era um catatau e isso me fez desenvolver um jeito mais polido ou mais tímido de ser. Achava que nuca ia poder responder na mesma truculência física dos garotos maiores que me chamavam de nanico. Demorei um par de anos (mais para um par de décadas) para fazer as pazes com essa herança genética do meu corpo. É um tanto assustador como até hoje me deparo com incivilidades e truculências, por vezes físicas, mas que não me impedem de viver. De forma alguma. Vou conseguir ensinar isso a ele, não dar atenção e ficar em paz com a herança de um catatau? Ou Talvez seja um sujeito alto, como imaginei no primeiro parágrafo, mas sou um tanto ansioso e coloco anos na frente um problema que você talvez não tenha, ou não ligue.

Hoje me deparei com essa frase, que é a única coisa que posso dizer, e talvez a melhor. Se te chamarem de baixinho, tenha essa certeza de usar uma resposta pronta do pai que viu teu coração bater:  ” Por dentro eu sou maior”.

Este post foi meio que motivado por uma postarem na página de Amanda Palmer, que forma esse casal bacana junto com Neil Gaiman, um dos caras legais e mais altos do que eu que andam por ai. A música dela ” Bigger on the inside”, meio que triste, apareceu em uma tatuagem feita por um fã.

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